Por Parte de Pai – Parte III – Bartolomeu Campos Queirós

Terceira parte dos podcasts dedicados ao livro Por Parte de Pai de Bartolomeu Campos Queirós.

Ordem das Músicas:

Concerto n° 2, op. 13 – Alain Lefevre
Paris Sans Toi – Alain Lefevre
Petite Mère – Alain Lefevre

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Narração/ Edição: Alan Villela

 

 

O Cordel do Amor Sem Fim – Cláudia Barral

Cordel do Amor Sem Fim - Aryella Lira

Interpretei este trecho da peça de Cláudia Barral em 2007, durante um evento de minha cidade natal, chamado “Paletada”. Não me lembrava disso até ontem, quando peguei a peça “O Cordel do Amor Sem Fim” na biblioteca para ler e me surpreendi com uma impressão de que “já conheço esse texto”.

Cláudia venceu o Prêmio Funarte de Dramaturgia de 2003 na região nordeste com esta dramaturgia e este é um trecho bem do início da peça, um dos mais belos e verdadeiros. Corram para a biblioteca! Ou apertem logo o play!

Ordem das Músicas:
Yellow –
Yann Tiersen

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Narração/ Edição: Alan Villela

Esclarecimento

Só para esclarecer, a Rádio Poeta retorna com novos podcasts a partir de março de 2011!
Mande o texto ou conto que você gostaria de escutar aqui na Rádio para radiopoeta@gmail.com para já prepararmos.

Um abraço,
Alan Villela.

Belinha – Marcelino Freire

Conheci o trabalho de Marcelino Freire em setembro de 2009 durante a montagem do espetáculo O Olho da Rua, dirigido por Marcelo Costa, apresentado aqui em Ouro Preto. Alguns contos de seu livro serviram como trabalho de composição de personagem. O texto de meu personagem seria o conto Faz de conta que não foi. Nada., mas este acabou ficando de fora. O livro correu de mão em mão entre os atores, para ser lido e, se possível, identificado e levado à sala de ensaio. Por fim, os contos Muribeca, Socorrinho, O Caso da Menina e Angu de Sangue fizeram parte da dramaturgia final do espetáculo.

O conto Belinha está presente no livro Angu de Sangue, lançado em 2000.

Para escutar o podcast aperte PLAY.

Ordem das Músicas:
La Chute –
Yann Tiersen
L’absente – Yann Tiersen

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Narração/ Edição: Alan Villela

Por Parte de Pai (Parte II) – Bartolomeu Campos Queirós

Descobri o livro “Por Parte de Pai” em dezembro de 2004 quando fui fazer uma prova no CEFET de minha cidade natal, Leopoldina. Minha mãe me incentivou, desde pequeno, à leitura. Sempre tive uma encanto maior com literatura em forma de diários ou de cartas, bem simples, despretensiosos, sem muitas palavras diferentes, uma leitura mais pessoal, aquela que a gente escreve só pra gente.

O que me fascina em “Por Parte de Pai” é a tristeza, simples e bonita, que percorre todo o livro.

Clique aqui para escutar o primeiro podcast sobre o livro.

Para escutar o podcast aperte PLAY.

Ordem das Músicas:
Introduçao Ao Poema Dos Olhos da Amada
– Baden Powell
Marcia, Eu Te Amo – Baden Powell

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Narração/ Edição: Alan Villela

Aqueles Dois – Caio Fernando Abreu

Aqueles Dois foi o primeiro contato que tive com o Caio em meados de junho de 2007. Lembro de me perguntar, assustado, quem é esse cara? Por morar em cidade pequena, na época, iniciei uma busca sem sucesso para encontrar algum livro seu que fosse de carne e osso. Recorri, então, aos e-books em PDF disponíveis pela internet e comecei a devorar aquilo que se conhece como Caio F. Se, no podcast anterior, Clarice Lispector alega ser As Reinações de Narizinho a sua Felicidade Clandestina, eu alego aqui ser Morangos Mofados a minha felicidade clandestina, e, infelizmente (ou não), a minha tristeza também.

Foi necessário dividir o podcast em duas partes para hospedá-lo no youtube por causa de sua duração: 22 minutos e 49 segundos. Porém, o arquivo em mp3 disponível para download é um arquivo único.

Para escutar o podcast aperte PLAY.

Parte 1:

Parte 2:

Ordem das Músicas:
Naval
– Yann Tiersen
La Corde – Yann Tiersen
Le Phare – Yann Tiersen
Au-Dessus Du Volcan – Yann Tiersen
Divided Love – O Amor nos Tempos do Cólera OST
Tu Me Acostumbraste – Caetano Veloso
Io Che Non – Paul Mauriat
Hay Amores - O Amor nos Tempos do Cólera OST
Nossas Vidas – Dalva de Oliveira
7-PM – Yann Tiersen

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Narração/ Edição: Alan Villela

Felicidade Clandestina – Clarice Lispector

A Rádio Poeta apresenta um clássico de Clarice Lispector: Felicidade Clandestina, lançado no livro O Primeiro Beijo em 1996.

“Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim.”

Para escutar o podcast aperte PLAY.

Músicas: Sur Le Fil, de Yann Tiersen e Fiorentino, trilha sonora do filme O Amor nos Tempos do Cólera.

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Narração/ Edição: Alan Villela

Para sugerir textos, poemas, trechos ou autores para futuros podcasts, envie um e-mail para: radiopoeta@gmail.com

Por Parte de Pai – Bartolomeu Campos Queirós

Após um bom tempo sem atualizações, a Rádio Poeta volta com seus podcasts literários, desta vez com um trecho do livro “Por Parte de Pai”, do escritor mineiro Bartolomeu Campos Queirós.

“Nunca recebi dez com louvor,

sempre sete com distinção.”


Para escutar o podcast aperte PLAY.

Músicas: Trilha Sonora do filme O Amor nos Tempos do Cólera: My New Life, White Suit e Realjo.

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Narração/ Edição: Alan Villela


Compensação – Cecília Meireles


Foto de Cecília Meireles.

A Rádio Poeta mostra um pouco de Cecília Meireles com o podcast de seu conto “Compensação“.

(…)

Hoje eu quereria ler uns livros que não falam de gente, mas só de bichos, de plantas, de pedras: um livro que me levasse por essas solidões da Natureza, sem vozes humanas, sem discursos, boatos, mentiras, calúnias, falsidades, elogios, celebrações…

(…)

Para escutar o podcast aperte PLAY.

Músicas: Yann Tiersen – “Le Jour d’Avant”

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Narração/ Edição: Alan Villela

Capítulo Final de Feliz Ano Velho


Fonte: O Genial Marcelo Rubens Paiva.

Dando término aos podcasts do livro de Marcelo Rubens Paiva, a Rádio Poeta apresenta o capítulo final do livro “Feliz Ano Velho“. Palavras emocionantes de Marcelo na trilha sonora de Elis Regina e Secos e Molhados.

Feliz Ano Velho” é um desses livros que marcam a história da literatura e sempre estará presente, não impotando a década.

Obrigado pelas esperanças, Marcelo.

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Músicas: Elis Regina – “Sabiá” e Secos e Molhados “Sangue Latino”

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Narração/ Edição: Alan Villela

Fragmento de Feliz Ano Velho – Marcelo P.


Foto Publicada jornal O Globo, Segundo Caderno, edição de 05/07/06 – Fonte: O Genial Marcelo Rubens Paiva.

“Adeus Ano Velho, feliz Ano-Novo.

Não tinha o mínimo sentido. As lágrimas rolaram, chorei sozinho, ninguém poderia imaginar o que eu estava passando. Nada fazia sentido. Todos sofriam comigo, me davam força, me ajudavam, mas era eu quem estava ali deitado, e era eu que estava desejando minha morte. Mas nem disto eu era capaz, não havia meio de largar aquela situação. Tinha que sofrer, tinha que estar só, tão só, que até meu corpo me abandonara. Comigo só estavam um par de olhos, nariz, ouvido e boca.

Feliz Ano Velho, adeus Ano-Novo.

Mais um podcast do livro do grande Marcelo Rubens Paiva.

Para escutar o podcast  aperte PLAY.

Música: Elis Regina – “Como Nossos Pais”

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Narração/ Edição: Alan Villela

1º Capítulo de Feliz Ano Velho – BIIIIIIIN

Foto de Marcelo Rubens Paiva, 1985

Dando continuidade com nossos podcasts do livro “Feliz Ano Velho” de Marcelo Rubens Paiva, a Rádio Poeta divulga o primeiro capítulo do livro: “BIIIIIIIN”. Marcelo avisa ao seu amigo Gregor que irá descobrir o ouro que ele enterrou debaixo do lago, dá um salto imitando a posição do Tio Patinhas e BIIIIIIIN.

Para escutar o podcast aperte PLAY.

Músicas: Legião Urbana – “Riding Song” do cd “Uma Outra Estação” e Yann Tiersen “Summer 78″ da trilha sonora do filme “Adeus Lênin”

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Narração/ Edição: Alan Villela

Feliz Ano Velho – Marcelo R. Paiva

Foto de Marcelo Rubens Paiva

Feliz Ano Velho” é o relato de um rapaz (até então com 20 anos de idade) que sofreu um acidente após um mergulho de cabeça dentro de um lago e ficou tetraplégico. O livro conta a história real de Marcelo Rubens Paiva e de seu sofrimento, sua luta e suas esperanças diante da falta de movimento no corpo e do apoio da família, dos amigos e de sua própria vontade de sobreviver.

A Rádio Poeta inicia uma série de podcasts direcionados ao livro “Feliz Ano Velho“, e começamos do início, com o prefácio do livro, divido com duas cartas: A primeira de Luiz Travessos falando sobre o livro e em seguida uma resposta de Marcelo Rubens Paiva.

Para escutar o podcast aperte PLAY.

Músicas: Secos e Molhados – “O Vira” e “O Patrão Nosso de Cada Dia”

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Narração/ Edição: Alan Villela

Pedras de Calcutá – Caio F.


Capa da primeira edição do livro. Editora Alfa-Omega, 1977.

Com tantos mergulhos e encantos com Caio F, a Rádio Poeta dá sequência com uma pequena amostra de seu livro “Pedras de Calcutá”. O Podcast narrado conta um pouquinho sobre essa obra prima (a terceira coletânea de contos) e fala um pouco sobre o autor.

“O livro assinalava a conclusão de uma trajetória pessoal de independência em relação ao estado natal (Caio ampliara sua carreira jornalística para São Paulo e Rio de Janeiro), ao país (vinha de um período de três anos de auto-exílio em Londres, Estocolmo e Amsterdã) e afirmação de liberdade pessoal e não-submissão ao arbítrio do regime militar. Com tudo isso, tratava-se de uma obra extremamente representativa do que se passara com muitos jovens no mundo todo…”

Para escutar o podcast aperte PLAY.

Músicas: The Beatles – “Here Comes The Sun” extraído do cd “Love”

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Narração/ Edição: Alan Villela

Mergulho II – Caio F.


Caio Fernando Abreu por Marcos Mendes. O Estado de São Paulo, São Paulo, 11 dez. 1994. Coleção Hemeroteca / CEDAE

Dando continuidade: Caio F. com “Megulho II” do livro “Pedras de Calcutá”

“Na primeira noite, ele sonhou que o navio começara a afundar.
As pessoas corriam desorientadas de um lado para outro no tombadilho, sem lhe dar atenção. Finalmente conseguiu segurar o braço de um marinheiro e disse que não sabia nadar. O marinheiro olhou bem para ele antes de responder, sacudindo os ombros: “Ou você aprende ou morre”.
Acordou quando a água chegava a seus tornozelos.

Na segunda noite, ele sonhou que o navio continuava afundando. As pessoas corriam de outro para um lado, e depois o braço, e depois o olhar, o marinheiro repetindo que ou ele aprendia a nadar ou morria. Quando a água alcançava quase a sua cintura, ele pensou que talvez pudesse aprender a nadar. Mas acordou antes de descobrir.

Na terceira noite, o navio afundou.”

Para escutar o podcast aperte PLAY.

Músicas: Yann Tiersen – “Les Enfants” extraído do cd “Les Retrouvailles”

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Narração/ Edição: Alan Villela

Mergulho I – Caio F.


Foto de Caio F.

Mais Caio F. para nos alimentar com sua loucura.

O novo podcast é do conto “Mergulho I”, do livro “Pedras de Calcutá”. O livro é dividido em duas partes com os contos Mergulho I e Mergulho II. Na próxima atualização daremos sequência com a segunda parte desse mergulho do Caio F, o grande Fernando Abreu.

“O primeiro aviso foi um barulhinho, de manhã bem cedo, quando ele se curvava para cuspir água e pasta de dentes na pia. Pensou que fosse o jato de água da torneira aberta e não ligou muito: sempre esquecia portas, janelas e torneiras abertas pelas casas e banheiros por onde andava.

Então fechou a torneira para ouvir, como todos os dias, o silêncio meio azulado das manhãs, com os periquitos cantando na varanda e os rumores diluídos dos automóveis, poucos ainda. Mas o barulhinho continuava. Fonte escorrendo: água clara de cântaros, bilhas, grutas — e ele achou bonito e lembrou (um pouco só, porque não havia tempo) remotos passeios, infâncias, encantos, namoradas.

Quando se curvou para amarrar o cordão do sapato é que percebeu que o barulhinho vinha do chão e, mais atentamente curvado, exatamente de dentro do próprio pé esquerdo. Tornou a não ligar muito; achou até bonito poder sacudir de quando em vez o pé para ouvir o barulhinho trazendo marés, memórias. Quando foi amarrar o cordão do sapato do pé direito, voltou a ouvir o mesmo barulhinho e sorriu para as obturações refletidas no espelho: dois pés, duas fontes, duas alegrias.

Ao abotoar as calças, sentiu o umbigo saltar exatamente como uma concha empurrada por uma onda mais forte e, logo após, o mesmo barulhinho, agora mais nítido, mais alto. Sentou na privada e acendeu um cigarro, pensando na feijoada do dia anterior. Antes de dar a primeira tragada, passou a mão pelo pescoço, prevenindo a áspera barba a ser feita, e
o pomo-de-adão deu um salto, umbigo, concha, como se engolisse ar em seco, e não engolia nada, apenas esperava, o cigarro parado no ar.
Ergueu-se para olhar a própria cara no espelho, as calças caídas sobre os sapatos desamarrados, e abriu a boca libertando uma espécie de arroto.

Foi então que a água começou a jorrar boca afora. Primeiro em gotas, depois em fluxos mais fortes, ondas, marés, até que um quase maremoto o arrastou para fora do banheiro. Espantado, tentou segurar-se no corrimão da escada, chegou a estender os dedos, mas não havia dedos, só água se derramando degraus abaixo, atravessando o corredor, o escritório, a
pequena sala de samambaias desmaiadas. Antes de atingir o patamar de entrada ele ainda pensou que seria bom, agora, não ser mais regato, nem fonte, nem lago, mas rio farto, caminhando em direção à rua, talvez ao mar.

Mas quando as ondas mais fortes rebentaram a porta de entrada para inundar o jardim, ele se contraiu, se distendeu e cessou, inteiro e vazio.
Não passava de uma gota na imensa massa de água, que descia das outras casas inundando as ruas.”

Para escutar o podcast aperte PLAY.

Músicas: Yann Tiersen – Guilty Trilha de “O Fabuloso Destino de Amelie Poulain”

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Narração/ Edição: Alan Villela

Liberdade – Cecília Meireles.


Foto de Cecília Meireles

No segundo programa da Rádio Poeta damos espaço para a escritora carioca Cecília Meireles. Nascida na cidade do Rio de Janeiro em 07/11/1901, apareceu no meio literário em 1919 com o livro de poemas Espectros. Morreu em 09/11/1964.

O conto narrado chama-se “Liberdade” do livro de contos “Escolha o seu sonho”

“Deve existir nos homens um sentimento profundo que corresponde a essa palavra LIBERDADE, pois sobre ela se têm escrito poemas e hinos, a ela se tem até morrido com alegria e felicidade.

Diz-se que o homem nasceu livre, que a liberdade de cada um acaba onde começa a liberdade de outrem; que onde não há liberdade não há pátria; que a morte é preferível à falta de liberdade; que renunciar à liberdade é renunciar à própria condição humana; que a liberdade é o maior bem do mundo; que a liberdade é o oposto à fatalidade e à escravidão; nossos bisavós gritavam “Liberdade, Igualdade e Fraternidade!”. Nossos avós cantaram: “Ou ficar a Pátria livre ou morrer pelo Brasil!”; nossos pais pediam: “Liberdade! Liberdade! – abre as asas sobre nós”, e nós recordamos todos os dias que “o sol da liberdade em raios fúlgidos – brilhou no céu da Pátria…” – em certo instante.

Somos, pois criaturas nutridas de liberdade há muito tempo, com disposições de cantá-la, amá-la, combater e certamente morrer por ela.

Ser livre – como diria o famoso conselheiro… – é não ser escravo; é agir segundo a nossa cabeça e o nosso coração, mesmo tendo que partir esse coração e essa cabeça para encontrar um caminho… Enfim, ser livre é ser responsável, é repudiar a condição de autônomo e de teleguiado – é proclamar o triunfo luminoso do espírito. (Supondo que seja isso.)

Ser livre é ir mais além: é buscar outro espaço, outras dimensões, é ampliar a órbita da vida. É não estar acorrentado. É não viver obrigatoriamente entre quatro paredes.

Por isso, os meninos atiram pedras e soltam papagaios. A pedra inocentemente vai até onde o sono das crianças deseja ir. (Às vezes, é certo, quebra alguma coisa, no seu percurso…).

Os papagaios vão pelos ares até onde os meninos de outrora (muito de outrora!…) não acreditavam que se pudesse chegar tão simplesmente, com um fio de linha e um pouco de vento!…

Acontece, porém, que um menino, para empinar um papagaio, esqueceu-se da fatalidade dos fios elétricos e perdeu a vida.

E os loucos que sonharam sair de seus pavilhões, usando a fórmula do incêndio para chegarem à liberdade, morreram queimados, com o mapa da Liberdade nas mãos!…

São essas coisas tristes que contornam sombriamente aquele sentimento luminoso da LIBERDADE. Para alcançá-la estamos todos os dias expostos à morte. E os tímidos preferem ficar onde estão, preferem mesmo prender melhor suas correntes e não pensar em assunto tão ingrato.

Mas os sonhadores vão para a frente, soltando seus papagaios, morrendo nos seus incêndios, como as crianças e os loucos. E cantando aqueles hinos que falam de asas, de raios fúlgidos – linguagem de seus antepassados, estranha linguagem humana, nestes andaimes dos construtores de Babel…”

Para escutar o podcast aperte PLAY.

Músicas: Yann Tiersen – La Noyee Trilha de “O Fabuloso Destino de Amelie Poulain”

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Narração/ Edição: Alan Villela

Carta aos Pais – Caio F.


Fotos do poeta Caio Fernando Abreu

Iniciando a série de podcats no Rádio Poeta, apresentamos o autor brasileiro Caio Fernando Abreu. Jornalista, poeta, escritor e dramaturgo que morreu na casa paterna no Rio Grande do Sul em 1996.

Pocdcast narrado é uma carta de 1987 enviada para seus pais

São Paulo, 12 de agosto de 1987.

Querida mãe, querido pai,
Não sei mais conviver com as pessoas. Tenho medo de uma casa cheia de pais e mães e irmãos e sobrinhos e cunhados e cunhadas. Tenho vivido tão só durante tantos – quase 40 – anos. Devo estar acostumado.

Dormir 24 horas foi a maneira mais delicada que encontrei de não perturbar o equilíbrio de vocês – que é muito delicado. E também de não perturbar o meu próprio equilíbrio – que é tão ou mais delicado.
Estou me transformando aos poucos num ser humano meio viciado em solidão. E que só sabe escrever. Não sei mais falar, abraçar, dar beijos, dizer coisas aparentemente simples como “eu gosto de você”. Gosto de mim. Acho que é o destino dos escritores. E tenho pensado que, mais do que qualquer outra coisa, sou um escritor. Uma pessoa que escreve sobre a vida – como quem olha de uma janela – mas não consegue vivê-la.

Amo vocês como quem escreve para uma ficção: sem conseguir dizer nem mostrar isso. O que sobra é o áspero do gesto, a secura da palavra. Por trás disso, há muito amor. Amor louco – todas as pessoas são loucas, inclusive nós; amor encabulado – nós, da fronteira com a Argentina, somos especialmente encabulados. Mas amor de verdade. Perdoem o silêncio, o sono, a rispidez, a solidão. Está ficando tarde, e eu tenho medo de ter desaprendido o jeito. É muito difícil ficar adulto.

Amo vocês, seu filho,
Caio.

Para escutar o podcast aperte PLAY.

Músicas: Yann Tiersen – La Dispute Trilha de “O Fabuloso Destino de Amelie Poulain”

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Narração/ Edição: Alan Villela


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Rádio Poeta - Podcasts Literários.

Quem Faz:

Alan Villela, 22 anos, licenciando em Artes Cênicas pela Universidade Federal de Ouro Preto.
http://www.alanblair.wordpress.com

Quem Empresta:

O encanto de poesias, contos e versos de grandes personalidades do meio literário mesclando a voz e a música em versos narrados.
Cecília Meireles, Clarice Lispector, Caio Fernando Abreu e outros poetas responsáveis pela diversidade literária brasileira.

Para sugerir textos, poemas, trechos ou autores para futuros podcasts, envie um e-mail para: radiopoeta@gmail.com

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