Compensação – Cecília Meireles


Foto de Cecília Meireles.

A Rádio Poeta mostra todo o ardor e o sentimento de Cecília Meireles com o podcast de seu conto “Compensação“.

(…)

Hoje eu quereria ler uns livros que não falam de gente, mas só de bichos, de plantas, de pedras: um livro que me levasse por essas solidões da Natureza, sem vozes humanas, sem discursos, boatos, mentiras, calúnias, falsidades, elogios, celebrações…

(…)

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Músicas: Yann Tiersen – “Le Jour d’Avant”

Vozes: Alan Blair
Produção/ Edição: Alan Blair

Capítulo Final de Feliz Ano Velho


Fonte: O Genial Marcelo Rubens Paiva.

Dando término aos podcasts do livro de Marcelo Rubens Paiva, a Rádio Poeta apresenta o capítulo final do livro “Feliz Ano Velho“. Palavras emocionantes de Marcelo na trilha sonora de Elis Regina e Secos e Molhados.

Feliz Ano Velho” é um desses livros que marcam a história da literatura e sempre estará presente, não impotando a década.

Obrigado pelas esperanças, Marcelo.

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Músicas: Elis Regina – “Sabiá” e Secos e Molhados “Sangue Latino”

Vozes: Alan Blair
Produção/ Edição: Alan Blair

Fragmento de Feliz Ano Velho – Marcelo P.


Foto Publicada jornal O Globo, Segundo Caderno, edição de 05/07/06 – Fonte: O Genial Marcelo Rubens Paiva.

“Adeus Ano Velho, feliz Ano-Novo.

Não tinha o mínimo sentido. As lágrimas rolaram, chorei sozinho, ninguém poderia imaginar o que eu estava passando. Nada fazia sentido. Todos sofriam comigo, me davam força, me ajudavam, mas era eu quem estava ali deitado, e era eu que estava desejando minha morte. Mas nem disto eu era capaz, não havia meio de largar aquela situação. Tinha que sofrer, tinha que estar só, tão só, que até meu corpo me abandonara. Comigo só estavam um par de olhos, nariz, ouvido e boca.

Feliz Ano Velho, adeus Ano-Novo.

Mais um podcast do livro do grande Marcelo Rubens Paiva.

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Música: Elis Regina – “Como Nossos Pais”

Vozes: Alan Blair
Produção/ Edição: Alan Blair

1º Capítulo de Feliz Ano Velho – BIIIIIIIN

Foto de Marcelo Rubens Paiva, 1985

Dando continuidade com nossos podcasts do livro “Feliz Ano Velho” de Marcelo Rubens Paiva, a Rádio Poeta divulga o primeiro capítulo do livro: “BIIIIIIIN”. Marcelo avisa ao seu amigo Gregor que irá descobrir o ouro que ele enterrou debaixo do lago, dá um salto imitando a posição do Tio Patinhas e BIIIIIIIN.

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Músicas: Legião Urbana – “Riding Song” do cd “Uma Outra Estação” e Yann Tiersen “Summer 78″ da trilha sonora do filme “Adeus Lênin”

Vozes: Alan Blair
Produção/ Edição: Alan Blair

Feliz Ano Velho – Marcelo R. Paiva

Foto de Marcelo Rubens Paiva

Feliz Ano Velho” é o relato de um rapaz (até então com 20 anos de idade) que sofreu um acidente após um mergulho de cabeça dentro de um lago e ficou tetraplégico. O livro conta a história real de Marcelo Rubens Paiva e de seu sofrimento, sua luta e suas esperanças diante da falta de movimento no corpo e do apoio da família, dos amigos e de sua própria vontade de sobreviver.

A Rádio Poeta inicia uma série de podcasts direcionados ao livro “Feliz Ano Velho“, e começamos do início, com o prefácio do livro, divido com duas cartas: A primeira de Luiz Travessos falando sobre o livro e em seguida uma resposta de Marcelo Rubens Paiva.

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Músicas: Secos e Molhados – “O Vira” e “O Patrão Nosso de Cada Dia”

Vozes: Alan Blair
Produção/ Edição: Alan Blair

Pedras de Calcutá – Caio F.


Capa da primeira edição do livro. Editora Alfa-Omega, 1977.

Com tantos mergulhos e encantos com Caio F, a Rádio Poeta dá sequência com uma pequena amostra de seu livro “Pedras de Calcutá”. O Podcast narrado conta um pouquinho sobre essa obra prima (a terceira coletânea de contos) e fala um pouco sobre o autor.

“O livro assinalava a conclusão de uma trajetória pessoal de independência em relação ao estado natal (Caio ampliara sua carreira jornalística para São Paulo e Rio de Janeiro), ao país (vinha de um período de três anos de auto-exílio em Londres, Estocolmo e Amsterdã) e afirmação de liberdade pessoal e não-submissão ao arbítrio do regime militar. Com tudo isso, tratava-se de uma obra extremamente representativa do que se passara com muitos jovens no mundo todo…”

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Músicas: The Beatles – “Here Comes The Sun” extraído do cd “Love”

Vozes: Alan Blair
Produção/ Edição: Alan Blair

Mergulho II – Caio F.


Caio Fernando Abreu por Marcos Mendes. O Estado de São Paulo, São Paulo, 11 dez. 1994. Coleção Hemeroteca / CEDAE

Dando continuidade: Caio F. com “Megulho II” do livro “Pedras de Calcutá”

Na primeira noite, ele sonhou que o navio começara a afundar.
As pessoas corriam desorientadas de um lado para outro no tombadilho, sem lhe dar atenção. Finalmente conseguiu segurar o braço de um marinheiro e disse que não sabia nadar. O marinheiro olhou bem para ele antes de responder, sacudindo os ombros: “Ou você aprende ou morre”.
Acordou quando a água chegava a seus tornozelos.

Na segunda noite, ele sonhou que o navio continuava afundando. As pessoas corriam de outro para um lado, e depois o braço, e depois o olhar, o marinheiro repetindo que ou ele aprendia a nadar ou morria. Quando a água alcançava quase a sua cintura, ele pensou que talvez pudesse aprender a nadar. Mas acordou antes de descobrir.

Na terceira noite, o navio afundou.”

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Músicas: Yann Tiersen – “Les Enfants” extraído do cd “Les Retrouvailles”

Vozes: Alan Blair
Produção/ Edição: Alan Blair

Mergulho I – Caio F.


Foto de Caio F.

Mais Caio F. para nos alimentar com sua loucura.

O novo podcast é do conto “Mergulho I”, do livro “Pedras de Calcutá”. O livro é dividido em duas partes com os contos Mergulho I e Mergulho II. Na próxima atualização daremos sequência com a segunda parte desse mergulho do Caio F, o grande Fernando Abreu.

“O primeiro aviso foi um barulhinho, de manhã bem cedo, quando ele se curvava para cuspir água e pasta de dentes na pia. Pensou que fosse o jato de água da torneira aberta e não ligou muito: sempre esquecia portas, janelas e torneiras abertas pelas casas e banheiros por onde andava.

Então fechou a torneira para ouvir, como todos os dias, o silêncio meio azulado das manhãs, com os periquitos cantando na varanda e os rumores diluídos dos automóveis, poucos ainda. Mas o barulhinho continuava. Fonte escorrendo: água clara de cântaros, bilhas, grutas — e ele achou bonito e lembrou (um pouco só, porque não havia tempo) remotos passeios, infâncias, encantos, namoradas.

Quando se curvou para amarrar o cordão do sapato é que percebeu que o barulhinho vinha do chão e, mais atentamente curvado, exatamente de dentro do próprio pé esquerdo. Tornou a não ligar muito; achou até bonito poder sacudir de quando em vez o pé para ouvir o barulhinho trazendo marés, memórias. Quando foi amarrar o cordão do sapato do pé direito, voltou a ouvir o mesmo barulhinho e sorriu para as obturações refletidas no espelho: dois pés, duas fontes, duas alegrias.

Ao abotoar as calças, sentiu o umbigo saltar exatamente como uma concha empurrada por uma onda mais forte e, logo após, o mesmo barulhinho, agora mais nítido, mais alto. Sentou na privada e acendeu um cigarro, pensando na feijoada do dia anterior. Antes de dar a primeira tragada, passou a mão pelo pescoço, prevenindo a áspera barba a ser feita, e
o pomo-de-adão deu um salto, umbigo, concha, como se engolisse ar em seco, e não engolia nada, apenas esperava, o cigarro parado no ar.
Ergueu-se para olhar a própria cara no espelho, as calças caídas sobre os sapatos desamarrados, e abriu a boca libertando uma espécie de arroto.

Foi então que a água começou a jorrar boca afora. Primeiro em gotas, depois em fluxos mais fortes, ondas, marés, até que um quase maremoto o arrastou para fora do banheiro. Espantado, tentou segurar-se no corrimão da escada, chegou a estender os dedos, mas não havia dedos, só água se derramando degraus abaixo, atravessando o corredor, o escritório, a
pequena sala de samambaias desmaiadas. Antes de atingir o patamar de entrada ele ainda pensou que seria bom, agora, não ser mais regato, nem fonte, nem lago, mas rio farto, caminhando em direção à rua, talvez ao mar.

Mas quando as ondas mais fortes rebentaram a porta de entrada para inundar o jardim, ele se contraiu, se distendeu e cessou, inteiro e vazio.
Não passava de uma gota na imensa massa de água, que descia das outras casas inundando as ruas.”

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Músicas: Yann Tiersen – Guilty Trilha de “O Fabuloso Destino de Amelie Poulain”

Vozes: Alan Blair
Produção/ Edição: Alan Blair

Liberdade – Cecília Meireles.


Foto de Cecília Meireles

No segundo programa da Rádio Poeta damos espaço para a escritora carioca Cecília Meireles. Nascida na cidade do Rio de Janeiro em 07/11/1901, apareceu no meio literário em 1919 com o livro de poemas Espectros. Morreu em 09/11/1964.

O conto narrado chama-se “Liberdade” do livro de contos “Escolha o seu sonho”

“Deve existir nos homens um sentimento profundo que corresponde a essa palavra LIBERDADE, pois sobre ela se têm escrito poemas e hinos, a ela se tem até morrido com alegria e felicidade.

Diz-se que o homem nasceu livre, que a liberdade de cada um acaba onde começa a liberdade de outrem; que onde não há liberdade não há pátria; que a morte é preferível à falta de liberdade; que renunciar à liberdade é renunciar à própria condição humana; que a liberdade é o maior bem do mundo; que a liberdade é o oposto à fatalidade e à escravidão; nossos bisavós gritavam “Liberdade, Igualdade e Fraternidade!”. Nossos avós cantaram: “Ou ficar a Pátria livre ou morrer pelo Brasil!”; nossos pais pediam: “Liberdade! Liberdade! – abre as asas sobre nós”, e nós recordamos todos os dias que “o sol da liberdade em raios fúlgidos – brilhou no céu da Pátria…” – em certo instante.

Somos, pois criaturas nutridas de liberdade há muito tempo, com disposições de cantá-la, amá-la, combater e certamente morrer por ela.

Ser livre – como diria o famoso conselheiro… – é não ser escravo; é agir segundo a nossa cabeça e o nosso coração, mesmo tendo que partir esse coração e essa cabeça para encontrar um caminho… Enfim, ser livre é ser responsável, é repudiar a condição de autônomo e de teleguiado – é proclamar o triunfo luminoso do espírito. (Supondo que seja isso.)

Ser livre é ir mais além: é buscar outro espaço, outras dimensões, é ampliar a órbita da vida. É não estar acorrentado. É não viver obrigatoriamente entre quatro paredes.

Por isso, os meninos atiram pedras e soltam papagaios. A pedra inocentemente vai até onde o sono das crianças deseja ir. (Às vezes, é certo, quebra alguma coisa, no seu percurso…).

Os papagaios vão pelos ares até onde os meninos de outrora (muito de outrora!…) não acreditavam que se pudesse chegar tão simplesmente, com um fio de linha e um pouco de vento!…

Acontece, porém, que um menino, para empinar um papagaio, esqueceu-se da fatalidade dos fios elétricos e perdeu a vida.

E os loucos que sonharam sair de seus pavilhões, usando a fórmula do incêndio para chegarem à liberdade, morreram queimados, com o mapa da Liberdade nas mãos!…

São essas coisas tristes que contornam sombriamente aquele sentimento luminoso da LIBERDADE. Para alcançá-la estamos todos os dias expostos à morte. E os tímidos preferem ficar onde estão, preferem mesmo prender melhor suas correntes e não pensar em assunto tão ingrato.

Mas os sonhadores vão para a frente, soltando seus papagaios, morrendo nos seus incêndios, como as crianças e os loucos. E cantando aqueles hinos que falam de asas, de raios fúlgidos – linguagem de seus antepassados, estranha linguagem humana, nestes andaimes dos construtores de Babel…”

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Músicas: Yann Tiersen – La Noyee Trilha de “O Fabuloso Destino de Amelie Poulain”

Vozes: Alan Blair
Produção/ Edição: Alan Blair

Carta aos Pais – Caio F.


Fotos do poeta Caio Fernando Abreu

Iniciando a série de podcats no Rádio Poeta, apresentamos o autor brasileiro Caio Fernando Abreu. Jornalista, poeta, escritor e dramaturgo que morreu na casa paterna no Rio Grande do Sul em 1996.

Pocdcast narrado é uma carta de 1987 enviada para seus pais

São Paulo, 12 de agosto de 1987.

Querida mãe, querido pai,
Não sei mais conviver com as pessoas. Tenho medo de uma casa cheia de pais e mães e irmãos e sobrinhos e cunhados e cunhadas. Tenho vivido tão só durante tantos – quase 40 – anos. Devo estar acostumado.

Dormir 24 horas foi a maneira mais delicada que encontrei de não perturbar o equilíbrio de vocês – que é muito delicado. E também de não perturbar o meu próprio equilíbrio – que é tão ou mais delicado.
Estou me transformando aos poucos num ser humano meio viciado em solidão. E que só sabe escrever. Não sei mais falar, abraçar, dar beijos, dizer coisas aparentemente simples como “eu gosto de você”. Gosto de mim. Acho que é o destino dos escritores. E tenho pensado que, mais do que qualquer outra coisa, sou um escritor. Uma pessoa que escreve sobre a vida – como quem olha de uma janela – mas não consegue vivê-la.

Amo vocês como quem escreve para uma ficção: sem conseguir dizer nem mostrar isso. O que sobra é o áspero do gesto, a secura da palavra. Por trás disso, há muito amor. Amor louco – todas as pessoas são loucas, inclusive nós; amor encabulado – nós, da fronteira com a Argentina, somos especialmente encabulados. Mas amor de verdade. Perdoem o silêncio, o sono, a rispidez, a solidão. Está ficando tarde, e eu tenho medo de ter desaprendido o jeito. É muito difícil ficar adulto.

Amo vocês, seu filho,
Caio.

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Músicas: Yann Tiersen – La Dispute Trilha de “O Fabuloso Destino de Amelie Poulain”

Vozes: Alan Blair
Produção/ Edição: Alan Blair


Sintonize seu Poeta ~


A Rádio:

Podcats narrados e editados por Alan Blair, mineiro, 19 anos e sonhador.
SON-HA-DOR


O Poeta:

O encanto de poesias, contos e versos de grandes personalidades do meio literário mesclando a voz e a música em versos narrados.
Cecília Meireles, Clarice Lispector, Caio Fernando Abreu e outros poetas responsáveis pela diversidade literária brasileira.

Ouvintes:

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po.e.tas.