O Meu Pé de Laranja Lima (2º Capítulo) – José de Vasconcelos

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Damos continuidade ao Programa Literário “O Meu Pé de Laranja Lima”, livro de José Mauro de Vasconcelos, através do segundo capítulo do livro em Podcast Literário.

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“Meu Pé de Laranja Lima ou O Meu Pé de Laranja Lima  é um romance juvenil, escrito por José Mauro de Vasconcelos e publicado em 1968. Foi traduzido para 52 línguas e publicado em 19 países, sendo adotado em escolas e, posteriormente, adaptado para o cinema, televisão e teatro.

Foto: Capa, Ed. Melhoramentos, 1968.

 

 

 

Para escutar aperte o PLAY!

Edição e narração: Alan Villela Barroso

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O Meu Pé de Laranja Lima (1º Capítulo) – José de Vasconcelos

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A Rádio Poeta tem o orgulho de apresentar o primeiro capítulo do Programa Literário “O Meu Pé de Laranja Lima”, livro de José Mauro de Vasconcelos. O programa será dividido em duas partes: a primeira composta por 5 Podcasts e a segunda com 9 Podcasts Literários, seguindo os capítulos da primeira edição do livro.

O programa, ainda em fase realização, pretende difundir esta importante obra da literatura brasileira. Pelo formato de Podcast Literário, esperamos alcançar diferentes públicos e gerações para a apreciação deste livro atemporal.

O segundo capítulo sairá nas próximas semanas! Acompanhe o blog e siga nossas redes sociais para receber atualizações (link abaixo).

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“Meu Pé de Laranja Lima ou O Meu Pé de Laranja Lima  é um romance juvenil, escrito por José Mauro de Vasconcelos e publicado em 1968. Foi traduzido para 52 línguas e publicado em 19 países, sendo adotado em escolas e, posteriormente, adaptado para o cinema, televisão e teatro.

Foto: Capa, Ed. Melhoramentos, 1968.

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“Dotado de prodigiosa capacidade inata de contar histórias, possuindo fabulosa memória, cadente imaginação e com uma volumosa experiência humana, José Mauro de Vasconcelos não quis ser escritor, foi obrigado a sê-lo. Os seus romances, como lavas de um vulcão, foram lançados para fora, porque dentro dele o “eu” estava transbordando de emoções. Ele tinha de escrever e de contar coisas.”

Foto: Contra-capa

Para escutar aperte o PLAY!

 

Edição e narração: Alan Villela

Músicas: Avè libertas (Aurora Luminosa: música brasileira no alvorecer do séc. XX), de Leopoldo Miguez. / Werther (Aurora Luminosa: música brasileira no alvorecer do séc. XX), de Alexandre Levy. / Casinha da Colina de FRANCISCO PETRÔNIO DILERMANDO REIS.

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“Por Parte de Pai” na KFKwebradio

POR PARTE DE PAI KFK

Queridos ouvintes,

a KFK Webrádio apresenta neste sábado (25/03), às 17h, o Podcast Literário do Livro “Por Parte de Pai”, de Bartolomeu Campos de Queirós.

O programa foi produzido pela Rádio Poeta entre 2011 e 2017, dividido em 7 partes que apresentam a belíssima obra de Bartolomeu.

Sábado, 25/03, 17h.

Acesse www.kfkwebradio.com.br

Bartolomeu Campos Queirós (MG) publicou seu primeiro livro em 1974, “O Peixe e o Pássaro”. Recebeu os mais significativos prêmios literários, como o Selo de Ouro da Fundação Nacional do Livro Infanto-Juvenil, Prefeitura de Belo Horizonte, Jabuti da Câmara Brasileira do Livro, Prêmio Bienal de São Paulo e Bienal de Minas Gerais, dentro outros.

Eu Não Direi As Palavras Mais Terríveis Esta Noite – Barata Cichetto

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Queridos ouvintes de nossa estação,

navegamos nas ondas sonoras da Rádio Poeta com o intenso Podcast Literário “Eu Não Direi As Palavras Mais Terríveis Esta Noite”, do escritor, poeta, webdesigner, editor artesanal, além de locutor e Diretor Geral da KFK Webradio, Luiz Carlos “Barata” Cichetto, de 59 anos. Cichetto criou e mantém o site cultural A Barata, Liberdade de Expressão e Expressão de Liberdade, e há cerca de três anos atua dentro de outras webradios.

Fonte: abarata.com.br

Dentre suas dezenas de publicações, citamos seu livro de crônicas O Rock Não Errou (112 páginas) e o de contos Porcontos, Ou: A Vida Como Ela Foi (60 páginas), ambos publicados em 2012.

Para escutar o Podcast, aperte o PLAY!

Download em MP3.

Músicas:

  1. Quarteto de Cordas No 1 I – Andante espressivo, Adagio doloroso. Autor: Mateus Alves
  2. Quarteto de Cordas No 1 II – Allegro agitato, Improvvisato, Andante espressivo Autor: Mateus Alves
  3. Dogs, Pink Floyd.

Edição e narração: Alan Villela
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Chapeuzinho Amarelo – Chico Buarque

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Queridos ouvintes,

hoje apresentamos o Podcast Literário “Chapeuzinho Amarelo”, uma adorável reinvenção de Chico Buarque para o clássico “Chapeuzinho Vermelho”.

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Fonte: Internet

“O livro “foi publicado em 1970, e relançado em 1979 com as ilustrações do grande chargista Ziraldo. Foi condecorada com o selo Altamente Recomendável para Crianças da Fundação Nacional do livro infantil e Juvenil (FNLIJ), em 1979 e ganhou o prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro (CBL), em 1998″.

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“…Chapeuzinho Amarelo, de tanto pensar no lobo, de tanto sonhar com lobo, de tanto esperar o lobo, um dia topou com ele que era assim: carão de lobo, olhão de lobo, jeitão de lobo e principalmente um bocão tão grande que era capaz de comer duas avós, um caçador, rei, princesa, sete panelas de arroz e um chapéu de sobremesa …”
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A história brinca com as palavras do texto, revertendo o medo da protagonista em coragem, por meio da reinvenção de personagens e palavras, através da troca de sílabas. Excelente material de apoio pedagógico para professores de educação infantil e ensino fundamental.

Para escutar, aperte o PLAY!

Download do Podcast em MP3.

Edição e narração: Alan Villela
Music: “Butterflies” e “The Pianist“. Music by: Dee Yan Key.
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Ismália – Alphonsus de Guimaraens

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Queridos ouvintes,

apresentamos o podcast literário da poesia “Ismália”, de Alphonsus de Guimaraens (Ouro Preto, 1870- Mariana, 1921), um dos mais belos poemas do Simbolismo Brasileiro.

“A poesia de Alphonsus de Guimaraens é marcadamente mística e envolvida com religiosidade católica. Seus sonetos apresentam uma estrutura clássica, e são profundamente religiosos e sensíveis na medida em que explora o sentido da morte, do amor impossível, da solidão e da inadaptação ao mundo”.

A poesia foi publicada em livro através de uma edição particularmente especial da Cosac Naify impresso em 2015, na China, com projeto gráfico e ilustrações de Odilon Moraes.

Fotos: Internet

Para escutar, aperte o PLAY!

Download em MP3.

Edição e narração: Alan Villela
Music: “Blue Sky” e “Angel“. Music by: Robert Karpinski
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Por Parte de Pai (COMPLETO) – Bartolomeu Campos de Queirós

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Apresentamos o programa COMPLETO dedicado ao livro “Por Parte de Pai”, de Bartolomeu Campos de Queirós, com 54 minutos de duração.

O programa foi realizado entre os anos de 2010 e 2017.

Bartolomeu faleceu em 2012. No ano de 2010, tive a oportunidade de apresentá-lo à Rádio Poeta e o trabalho desenvolvido para seu livro. Bartolomeu deu um retorno muito atencioso, como pode ser visualizado no e-mail abaixo:

E-mail Bartolomeu Campos Queirós

Agradecemos ao querido Bartolomeu, pela contribuição inestimável para a literatura brasileira, em especial,  do estado de Minas Gerais. Agradecemos aos ouvintes que, durante tantos anos, escutaram e aguardaram pela continuação. Agora, chegamos ao final de um grande livro.

Para escutar, aperte o PLAY!

Edição e narração: Alan Villela

Download do programa em MP3.

ORDEM DAS MÚSICAS
1 -My New Life (O Amor nos Tempos do Cólera).
2 – White Suit e Realjo, (O Amor nos Tempos do Cólera).
3 – Around Tír na nÓg by dmitri leto
4 – Way to Tír na nÓg by dmitri leto
5 – Concerto n° 2, op. 13 by Alain Lefevre
6 – Paris Sans Toi by Alain Lefevre
7 – Petite Mère by Alain Lefevre
8 – Around Tír na nÓg
9 – Way to Tír na nÓg
10 – Waterback (Pastoral Folk) by Keshco
11 – John Stockton Slow Drag by Chris Zabriskie
12 – The Flying Of A Leaf , by MATTIA VLAD MORLEO
13 – Reflected in the River, by MATTIA VLAD MORLEO
14 – No Time, by MATTIA VLAD MORLEO

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Por Parte de Pai (Parte 7/Final) – Bartolomeu Campos Queirós

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Queridos ouvintes,

apresentamos a sétima  e última parte dos Podcasts Literários destinados ao livro “Por Parte de Pai”, de Bartolomeu Campos de Queirós.

O programa foi realizado entre os anos de 2010 e 2017, sendo composto, no total, de sete podcasts compostos por trechos e capítulos do livro.

Edição e narração: Alan Villela
Music: “No Time“, de Mattia Vlad Morleo

Download do Podcast em MP3.

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Por Parte de Pai (Parte 6) – Bartolomeu Campos Queirós

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Queridos ouvintes,

após uns (bons) meses de espera (desculpem por isso), trazemos a sexta parte da série de Podcasts Literários dedicado ao livro “Por Parte de Pai”, de Bartolomeu Campos Queirós.

Para escutar, aperte o PLAY!

 

Download em MP3.

Créditos:

Produção/Podcaster: Alan Villela
Music by: MATTIA VLAD MORLEO: “The Flying Of A Leaf ” / “Reflected in the River“.

Para escutar as outras partes do livro, acesse nossa página no Spreaker pelo link abaixo:

Rádio Poeta ~ PROGRAMA “Por Parte de Pai”, de Bartolomeu Campos Queirós” on Spreaker.

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Rádio Poeta na KFK Webradio

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Queridos ouvintes,

os Podcasts Literários da Rádio Poeta agora podem ser ouvidos diariamente nas ondas da KFK Webradio!

A KFK surgiu em 2011, “não propriamente uma rádio Rock, mas uma rádio que toca Rock também. Não propriamente uma rádio musical, mas uma rádio que toca música, também.  Uma rádio que toca ideias seria a melhor definição. E dentro do espectro musical, vamos do Rock’n’Roll e do Blues ao Metal, do Jazz e Música Brasileira tradicional á Música Erudita.”

Com o diferencial em difundir conhecimento e construir ideias, a KFK Webradio é um projeto do escritor, poeta, webdesigner e editor artesanal Luiz Carlos “Barata” Cichetto, 53 anos, que há 15 anos criou e mantém o site cultural A Barata, Liberdade de Expressão e Expressão de Liberdade.

Sintonize suas ideias na KFK Webradio, diariamente com os Podcasts Literários da Rádio Poeta!

http://www.kfkwebradio.com.br

Ogum dá aos homens o segredo do ferro

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Ogum, Ogum, Ogum Iara.
Salve os campos de batalha, salve a sereia do mar.
Ogum, Ogum Iara.

Queridos ouvintes de nossa estação literária,

trazemos a força de Pai Ogum no Podcast Literário do conto “Ogum dá aos homens o segredo do ferro”, retirado do livro Mitologia dos Orixás, Reginaldo Prandi.

Download do Podcast em MP3.

Podcaster: Alan Villela.

Ponto “Se meu pai é Ogum“, cantado por Marcio Barravento.

Soundtrack by Esther Garcia: “Crossing the Universe“.

Playlist de Podcasts Literários dedicados à Mitologia dos Orixás em nosso Spreaker.

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Liberdade (2016) – Cecília Meireles

Cecília

Em outubro de 2007, a Rádio Poeta surgia com a transmissão de seus Podcasts Literários. Um dos porta vozes da Rádio foi “Liberdade”, de Cecília Meireles, uma escolha certeira, por tratar-se de um texto que traduz a nossa constante busca pelas coisas, por nossa autonomia e liberdade. Texto atemporal que muito se encaixa no contexto atual de muitos nós.

Em 2010, ele foi inserido no plano de aula de uma prática pedagógica da professora Gláucia Costa Abdala Diniz,  desenvolvida para o Ensino Fundamental Inicial, na cidade de Uberlândia (MG). A prática pedagógica, que foi disponibilizada no  Portal do Professor MEC (Ministério da Educação), contribuiu intensamente, ao longo dos anos, para a difusão da Rádio Poeta, atraindo diferentes públicos, dentre eles professores, alunos e profissionais da educação.

A Rádio Poeta agradece seus seus ouvintes, que sintonizaram um pouco do seu dia em nossa estação literária nos últimos 9 anos. Para comemorar, achamos pertinente repaginar nossa interpretação da crônica “Liberdade”, da Cecília.

Download do Podcast em MP3.

Podcaster: Alan Villela

Trilha: “Infinity“, de Marco Margna

 

O Podcast Original, gravado em 2007, (minha voz de 19 anos) você confere abaixo:

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Omolu ganha as pérolas de Iemanjá – Mitologia dos Orixás, Reginaldo Prandi

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Atotô Omolu! Atotô Obaluaê!

Queridos ouvintes, nessa madrugada mineira chuvosa do dia 16 de agosto, comemoramos o dia do meu Pai Omolu, o Orixá das doenças e das curas. Trazemos um belíssimo podcast extraído do livro Mitologia dos Orixás, de Reginaldo Prandi, “Omolu ganha as pérolas de Iemanjá”.

SOBRE O ORIXÁ: Omolú/Obaluaiê é filho de Nanã, irmão de Oxumarê e sua figura é cercada de mistérios. A Ele é atribuído o controle sobre todas as doenças, especialmente as epidêmicas.

O poderoso orixá tem tanto o poder de causar a doença como pode possibilitar a cura do mesmo mal que criou.

Mais no site Raízes Espirituais.

Edição e narração: Alan Villela
Trilha: “Desert Sunset Flute Solo“, de SaReGaMa

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Soneto das Embarcações – Leandro Rodrigues

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Queridos ouvintes, trazemos neste fim de domingo o Podcast literário do texto Soneto das Embarcações, do poeta e professor de Literatura Leandro Rodrigues. O poeta lançou recentemente seu livro Aprendizagem Cinza.

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(Editora Patúa, 2016).

 

leandrorodrigues-baixaFormado em Letras, Pós-Graduado em Literatura Contemporânea, Leandro Rodrigues é Professor de Literatura Brasileira e Língua Portuguesa. Também é autor do blog poético nauseaconcreta.blogspot.com.br, e um dos autores da Revista Zona Da Palavra.

 

 

SONETO DAS EMBARCAÇÕES

São mares de mim bravios e remotos
Em que nenhuma embarcação resta
Em que caem portos, desmoronam naus
De fúrias e constelações, perdidas guias

E em cais não se ancoram, em nós soltos
De tempestades e atrozes símbolos
De carnes e sal que em bocas são água
Que no corpo é falsa sombra de espera

Turvam-se bússolas, perdem a proa
E singelas facas que desatam convés
Cortam a carne, atira-se ao fundo

Os mares de mim são profundos
Escondem dragões e cavernas,
De escureza perene, servil, de almas torpes
[e vícios.
(Texto extraído da página do poeta no Jornal da Poesia)

Edição e narração: Alan Villela
Trilha: “Life (Featuring Nora Fodil)“, de Grégoire Lourme;

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A Ideia – Augusto dos Anjos

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Podcast literário do texto “A ideia”, de Augusto dos Anjos.

De onde ela vem?! De que matéria bruta
Vem essa luz que sobre as nebulosas
Cai de incógnitas criptas misteriosas
Como as estalactites duma gruta?!
Vem da psicogenética e alta luta
Do feixe de moléculas nervosas,
Que, em desintegrações maravilhosas,
Delibera, e depois, quer e executa!

Vem do encéfalo absconso que a constringe,
Chega em seguida às cordas do laringe,
Tísica, tênue, mínima, raquítica …

Quebra a força centrípeta que a amarra,
Mas, de repente, e quase morta, esbarra
No mulambo da língua paralítica.

 

Edição e narração: Alan Villela

Trilha: “Air Kalimba Solo“, de SaReGaMa

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Amor de Poeta – Marcelino Freire

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Queridos ouvintes,

hoje trazemos sintonia com o texto Amor de Poeta, do INCRÍVEL Marcelino Freire.

Marcelino Freire nasceu em 20 de março de 1967 na cidade de Sertânia, Sertão de Pernambuco. Vive em São Paulo desde 1991. É autor de EraOdito (Aforismos, 2ª edição, 2002), Angu de Sangue (Contos, 2000) e BaléRalé (Contos, 2003), todos publicados pela Ateliê Editorial. Em 2002, idealizou e editou a Coleção 5 Minutinhos, inaugurando com ela o selo eraOdito editOra. É um dos editores da PS:SP, revista de prosa lançada em maio de 2003, e um dos contistas em destaque nas antologias Geração 90 (2001) e Os Transgressores (2003), publicadas pela Boitempo Editorial.  Mais informações sobre o autor em marcelinofreire.wordpress.com e, também, em www.twitter.com/marcelinofreire. (Fonte: http://www.releituras.com/)

Recentemente o autor publicou “Rasif – Mar que Arrebenta”, e pode ser adquirido aqui.

Criamos uma página no facebook e carregamos todo o conteúdo para lá! Curta a página e nos encaminhe uma sugestão:

Produção e Narração: Alan Villela

Podcast Literário do texto Amor de Poeta, de Marcelino Freire. Texto extraído de seu livro “BaléRalé”, Ateliê Editorial – Cotia – SP, 2003, pág. 85. Leia o texto em: www.releituras.com/marcfreire_amor.asp

Música: Point of no return, do artista Roger Subirana Mata. Escute e baixe aqui: www.jamendo.com/track/168834/point-of-no-return

Relembrando: Podcast do texto “Belinha”, também de Marcelino Freire.

 

A Terceira Margem do Rio – Guimarães Rosa

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Passaram-se alguns meses desde nossa última transmissão. Portanto, peço desculpas aos ouvintes. O blog navega conforme o movimento do rio. Talvez seja culpa do tempo, que passou rápido demais. Gostoso seria um Podcast novo todo dia. Vamos mantendo esse plano em mente. Felizmente, hoje estamos aqui!

Antes de apresentar o Podcast, gostaríamos de informar que o limite de upload (3h) em nossa conta gratuita do Soundcloud foi atingida. Mas isso não é problema, pois a Rádio Poeta pode ser encontrada em vários lugares. Nós possuímos um perfil no Twine com todo o conteúdo, incluindo a possibilidade de download dos podcasts em MP3. Também estamos no Youtube, tornando as coisas mais práticas.

Hoje trazemos o podcast literário do texto “A Terceira Margem do Rio”, de Guimarães Rosa, sugestão da ouvinte Keilla Cristina:

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Nós quem agradecemos pela sugestão Keilla!

“A Terceira Margem do Rio”, de Guimarães Rosa. Texto extraído do livro “Primeiras Estórias”, Editora Nova Fronteira – Rio de Janeiro, 1988.

Clique aqui para acessar a página de download.

(Após abrir a página, clique na setinha no canto inferior direito: seta.png

Edição/Narração: Alan Villela.
Trilha sonora: dmitri.leto (acesse o soudclound do artista https://soundcloud.com/i1394)
Músicas: Horses In The Meadow; Stars at Laspi bay, Crimea; Way to Tír na nÓg; Chariot of Time.

Mande uma sugestão para gente!

 

(MITOLOGIA DOS ORIXÁS) Omolu cura todos da peste e é chamado Obaluaê – Reginaldo Prandi

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Atotô Obaluaê!

Queridos ouvintes,

trazemos mais um Podcast Literário sobre os contos e mitos dos Deuses Iorubás, retirado do livro Mitologia dos Orixás, de Reginaldo Prandi (Companhia das Letras).

Desta vez, o conto é sobre o Orixá Obaluaê, (também conhecido como Omolu/Omulu), o senhor da Terra, das pestes, doenças contagiosas e, também, da cura.

Para escutar o Podcast, dê o Play!

Download do Podcast em MP3.

Edição/Narração: Alan Villela

Música: fdrun – dmitri.leto.

Creme de Alface – Caio Fernando Abreu

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Queridos ouvintes,

Caio Fernando Abreu reaparece aqui na Rádio Poeta, desta vez com o turbulento conto “Creme de Alface”, publicado no livro Ovelhas Negras, composto de contos rejeitados pelo autor entre os anos de 1962 a 1995.

Sobre o conto, o autor explica:

O que me aterroriza neste conto de 1975 é a sua atualidade. Com a censura da época, seria impossível publicá-lo. Depois, cada vez que o relia, acabava por rejeitá-lo com um arrepio de repulsa pela sua absoluta violência. Assim, durante vinte anos, escondi até de mim mesmo a personagem dessa mulher-monstro fabricada pelas grandes cidades. Não é exatamente uma boa sensação, hoje, perceber que as cidades ficaram ainda piores, e pessoas assim ainda mais comuns.”

Para escutar o Podcast, dê o Play!

Download do Podcats em Mp3.

Edição/Narração: Alan Villela.

Ordem das Músicas:

1 – Zena – Pastor Protection
2 – Zena – Raisin ne Sour Grape
3 – Zena – They Don’t Want My Blood
4 – Zena – Cranberry

Ed Gein, uma inspiração para Hitchcock – Ilana Casoy

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Queridos ouvintes da Rádio Poeta,

Em comemoração ao mês do dia das bruxas, a Rádio Poeta traz um podcast especial da escritora Ilana Casoy, especialista no estudo de crimes violentos e assassinatos em série. Em seu livro Serial Killer: louco ou cruel, editora Ediouro, a autora traz uma abordagem rica em detalhes e informações sobre casos reais e clássicos de serial killers.

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Trazemos, na íntegra, a história de Ed Gein, serial killer que inspirou a escrita do livro Psicose e sua adaptação para cinema realizado por Hitchcock. A história de Ed Gein também inspirou Tobe Hooper na criação do clássico do terror da década de 70: O Massacre da Serra Elétrica.

Para escutar o podcast, dê o PLAY!

Download do podcast em mp3.

Edição e Narração: Alan Villela

Ordem das músicas:
01 – Zena – Seen
02 – Zena – Hetero Nerves
03 – Zena – Flesh Desires
04 – Zena – No Self to Respect

(MITOLOGIA DOS ORIXÁS) “Orixanlá Cria a Terra”

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Queridos ouvintes, retornamos com os Podcasts sobre a Mitologia dos Orixás. Desta vez, trazemos um conto de Oxalá, intitulado “Orixanlá cria a terra”. O conto foi retirado do livro “Mitologia dos Orixás”, de Reginaldo Prandi, editora Companhia das Letras (2001).

Para escutar o Podcast, dê o PLAY!

Música: Debazzled, de Keshco

Download do Podcast em MP3.

Primeiro Podcast sobre a Mitologia dos Orixás: “Exú ganha o poder sobre as encruzilhadas”.

Para sugestão de textos e contato: radiopoeta@gmail.com

Por Parte de Pai (5ª Parte) – Bartolomeu Campos Queirós

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Queridos ouvintes,

dando continuidade, trazemos a quinta parte do livro “Por Parte de Pai”, do eterno Bartolomeu ❤

Para escutar o Podcast, aperte o PLAY!

Ordem das músicas:

01 – Waterback (Pastoral Folk) – Keshco

02 – John Stockton Slow Drag – Chris Zabriskie

Download do Podcast em MP3

Edição/Narração: Alan Villela

Outros Podcasts  de “Por Parte de Pai”:

Por Parte de Pai – Parte IV

Por Parte de Pai – Parte III

Por Parte de Pai – Parte II

Por Parte de Pai – Parte I

(MITOLOGIA DOS ORIXÁS) “Exú ganha o poder sobre as encruzilhadas”

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Queridos ouvintes,

Iniciamos uma série de podcasts destinados à mitologia dos Orixás com diversas histórias e mitos dos Deuses Iorubás. Inciando a série, trazemos um conto sobre Exú, guardião das encruzilhadas e responsável pela evolução dos seres humanos aqui neste plano.

Todos os contos dos Orixás serão retirados do livro “Mitologia dos Orixás”, de Reginaldo Prandi, editora Companhia das Letras.

Para escutar o Podcast, aperte o PLAY:

Música: Lagarto Morado, do artista dmitri.leto

Download do Podcast em MP3

Edição/Narração: Alan Villela

Por Parte de Pai (Parte IV) – Bartolomeu Campos Queirós

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Queridos ouvintes da Rádio Poeta,

trazemos a quarta parte dos podcasts literários sobre o livro “Por Parte de Pai”, do querido Bartolomeu.

Bartolomeu Campos Queirós faleceu em 2012. No ano de 2010, tive a oportunidade de apresentá-lo à Rádio Poeta e o trabalho desenvolvido para seu livro. Bartolomeu deu um retorno muito atencioso, como pode ser visualizado no e-mail abaixo:

E-mail Bartolomeu Campos Queirós

Com muito carinho ao querido Bartolomeu, esperamos que a Rádio Poeta possa contribuir para a difusão de sua memória e de sua arte expressa em palavras.

Para escutar o Podcast, aperte o Play!

Músicas:

Download do Podcast em MP3

Narração/Edição: Alan Villela

Outros Podcasts  de “Por Parte de Pai”:

Por Parte de Pai – Parte III

Por Parte de Pai – Parte II

Por Parte de Pai – Parte I

Cem Anos de Perdão – Clarice Lispector

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Queridos ouvintes, trazemos mais um texto de Clarice, desta vez “Cem Anos de Perdão”.

Para escutar o Podcast, dê Play!

Música: Batuque (Série Alma brasileira) – Luciano Gallet

Download do Podcast em MP3

Narração e Edição: Alan Villela

Cem Anos de Perdão – Clarice Lispector

Quem nunca roubou não vai me entender. E quem nunca roubou rosas, então é que jamais poderá me entender. Eu, em pequena, roubava rosas.

Havia em Recife inúmeras ruas, as ruas dos ricos, ladeadas por palacetes que ficavam no centro de grandes jardins. Eu e uma amiguinha brincávamos muito de decidir a quem pertenciam os palacetes. “Aquele branco é meu.” “Não, eu já disse que os brancos são meus.” Parávamos às vezes longo tempo, a cara imprensada nas grades, olhando.

Começou assim. Numa dessas brincadeiras de “essa casa é minha”, paramos diante de uma que parecia um pequeno castelo. No fundo via-se o imenso pomar. E, à frente, em canteiros bem ajardinados, estavam plantadas as flores.

Bem, mas isolada no seu canteiro estava uma rosa apenas entreaberta cor-de-rosa-vivo. Fiquei feito boba, olhando com admiração aquela rosa altaneira que nem mulher feita ainda não era. E então aconteceu: do fundo de meu coração, eu queria aquela rosa para mim. Eu queria, ah como eu queria. E não havia jeito de obtê-la. Se o jardineiro estivesse por ali, pediria a rosa, mesmo sabendo que ele nos expulsaria como se expulsam moleques. Não havia jardineiro à vista, ninguém. E as janelas, por causa do sol, estavam de venezianas fechadas. Era uma rua onde não passavam bondes e raro era o carro que aparecia. No meio do meu silêncio e do silêncio da rosa, havia o meu desejo de possuí-la como coisa só minha. Eu queria poder pegar nela. Queria cheirá-la até sentir a vista escura de tanta tonteira de perfume.

Então não pude mais. O plano se formou em mim instantaneamente, cheio de paixão. Mas, como boa realizadora que eu era, raciocinei friamente com minha amiguinha, explicando-lhe qual seria o seu papel: vigiar as janelas da casa ou a aproximação ainda possível do jardineiro, vigiar os transeuntes raros na rua. Enquanto isso, entreabri lentamente o portão de grades um pouco enferrujadas, contando já com o leve rangido. Entreabri somente o bastante para que meu esguio corpo de menina pudesse passar. E, pé ante pé, mas veloz, andava pelos pedregulhos que rodeavam os canteiros. Até chegar à rosa foi um século de coração batendo.

Eis-me afinal diante dela. Para um instante, perigosamente, porque de perto ela é ainda mais linda. Finalmente começo a lhe quebrar o talo, arranhando-me com os espinhos, e chupando o sangue dos dedos.

E, de repente, ei-la toda na minha mão. A corrida de volta ao portão tinha também de ser sem barulho. Pelo portão que deixara entreaberto, passei segurando a rosa. E então nós duas pálidas, eu e a rosa, corremos literalmente para longe da casa.
O que é que fazia eu com a rosa? Fazia isso: ela era minha.

Levei-a para casa, coloquei-a num copo d’água, onde ficou soberana, de pétalas grossas e aveludadas, com vários entretons de rosa-chá. No centro dela a cor se concentrava mais e seu coração quase parecia vermelho.
Foi tão bom.

Foi tão bom que simplesmente passei a roubar rosas. O processo era sempre o mesmo: a menina vigiando, eu entrando, eu quebrando o talo e fugindo com a rosa na mão. Sempre com o coração batendo e sempre com aquela glória que ninguém me tirava.

Também roubava pitangas. Havia uma igreja presbiteriana perto de casa, rodeada por uma sebe verde, alta e tão densa que impossibilitava a visão da igreja. Nunca cheguei a vê-la, além de uma ponta de telhado. A sebe era de pitangueira. Mas pitangas são frutas que se escondem: eu não via nenhuma. Então, olhando antes para os lados para ver se ninguém vinha, eu metia a mão por entre as grades, mergulhava-a dentro da sebe e começava a apalpar até meus dedos sentirem o úmido da frutinha. Muitas vezes na minha pressa, eu esmagava uma pitanga madura demais com os dedos que ficavam como ensangüentados. Colhia várias que ia comendo ali mesmo, umas até verdes demais, que eu jogava fora.

Nunca ninguém soube. Não me arrependo: ladrão de rosas e de pitangas tem 100 anos de perdão. As pitangas, por exemplo, são elas mesmas que pedem para ser colhidas, em vez de amadurecer e morrer no galho, virgens.

Uma Vela Para Dario – Dalton Trevisan

dalton

Queridos ouvintes,

trazemos, desta vez, um Podcast com o texto de Dalton Trevisan, “Uma Vela Para Dario”.

Para sugestão de narrações de textos, amadores ou não, só encaminhar um e-mail para radiopoeta@gmail.com 🙂

Para escutar o Podcast, dê o play:

Música: Matmos – Action At A Distance

Download do Podcast em MP3

Uma Vela Para Dario – Dalton Trevisan

Dario vem apressado, guarda-chuva no braço esquerdo. Assim que dobra a esquina, diminui o passo até parar, encosta-se a uma parede. Por ela escorrega, senta-se na calçada, ainda úmida de chuva. Descansa na pedra o cachimbo.

Dois ou três passantes à sua volta indagam se não está bem. Dario abre a boca, move os lábios, não se ouve resposta. O senhor gordo, de branco, diz que deve sofrer de ataque.

Ele reclina-se mais um pouco, estendido na calçada, e o cachimbo apagou. O rapaz de bigode pede aos outros se afastem e o deixem respirar. Abre-lhe o paletó, o colarinho, a gravata e a cinta. Quando lhe tiram os sapatos, Dario rouqueja feio, bolhas de espuma surgem no canto da boca.

Cada pessoa que chega ergue-se na ponta dos pés, não o pode ver. Os moradores da rua conversam de uma porta a outra, as crianças de pijama acodem à janela. O senhor gordo repete que Dario sentou-se na calçada, soprando a fumaça do cachimbo, encostava o guardachuva na parede. Ma não se vê guarda-chuva ou cachimbo a seu lado.

A velhinha de cabeça grisalha grita que ele está morrendo. Um grupo o arrasta para o táxi da esquina. Já no carro a metade do corpo, protesta o motorista: quem pagará a corrida? Concordam chamar a ambulância. Dario conduzido de volta e recostado à parede – não tem os sapatos nem o alfinete de pérola na gravata.

Alguém informa da farmácia na outra rua. Não carregam Dario além da esquina; a farmácia no fim do quarteirão e, além do mais, muito peso. É largado na porta de uma peixaria. Enxame de moscas lhe cobrem o rosto, sem que façam um gesto para espantá-las.

Ocupado o café próximo pelas pessoas que apreciam o incidente e, agora, comendo e bebendo, gozam as delícias da noite. Dario em sossego e torto no degrau da peixaria, sem o relógio de pulso.

Um terceiro sugere lhe examinem os papéis, retirados – com vários objetos – de seus bolsos e alinhados sobre a camisa branca. Ficam sabendo do nome, idade, sinal de nascença. O endereço na carteira é de outra cidade.

Registra-se correria de uns duzentos curiosos que, a essa hora, ocupam toda a rua e as calçadas: é a polícia. O carro negro investe a multidão. Várias pessoas tropeçam no corpo de Dario, pisoteado dezessete vezes.

O guarda aproxima-se do cadáver, não pode identificá-lo – os bolsos vazios. Resta na mão esquerda a aliança de ouro, que ele próprio – quando vivo – só destacava molhando no sabonete. A polícia decide chamar o rabecão.

A última boca repete – Ele morreu, ele morreu. A gente começa a se dispersar. Dario levou duas horas para morrer, ninguém acreditava estivesse no fim. Agora, aos que alcançam vê-lo, todo o ar de um defunto.

Um senhor piedoso dobra o paletó de Dario para lhe apoiar a cabeça. Cruza as mãos no peito. Não consegue fechar olho nem boca, onde a espuma sumiu. Apenas um homem morto e a multidão se espalha, as mesas do café ficam vazias. Na janela alguns moradores com almofadas para descansar os cotovelos.

Um menino de cor e descalço vem com uma vela, que acende ao lado do cadáver. Parece morto há muitos anos, quase o retrato de um morto desbotado pela chuva.

Fecham-se uma a uma as janelas. Três horas depois, lá está Dario à espera do rabecão. A cabeça agora na pedra, sem o paletó. E o dedo sem a aliança. O toco de vela apaga-se às primeiras gotas da chuva, que volta a cair.

O Cordel do Amor Sem Fim – Cláudia Barral

cláudia

Interpretei este trecho da peça de Cláudia Barral em 2007, durante um evento de minha cidade natal, chamado “Paletada”. Não me lembrava disso até ontem, quando peguei a peça “O Cordel do Amor Sem Fim” na biblioteca para ler e me surpreendi com uma impressão de que “já conheço esse texto”.

Cláudia venceu o Prêmio Funarte de Dramaturgia de 2003 na região nordeste com esta dramaturgia e este é um trecho bem do início da peça, um dos mais belos e verdadeiros. Corram para a biblioteca! Ou apertem logo o play!

Ordem das Músicas:
Yellow –
Yann Tiersen

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Narração/ Edição: Alan Villela

Belinha – Marcelino Freire

marcelino

Conheci o trabalho de Marcelino Freire em setembro de 2009 durante a montagem do espetáculo O Olho da Rua, dirigido por Marcelo Costa, apresentado aqui em Ouro Preto. Alguns contos de seu livro serviram como trabalho de composição de personagem. O texto de meu personagem seria o conto Faz de conta que não foi. Nada., mas este acabou ficando de fora. O livro correu de mão em mão entre os atores, para ser lido e, se possível, identificado e levado à sala de ensaio. Por fim, os contos Muribeca, Socorrinho, O Caso da Menina e Angu de Sangue fizeram parte da dramaturgia final do espetáculo.

O conto Belinha está presente no livro Angu de Sangue, lançado em 2000.

Para escutar o podcast aperte PLAY.

Ordem das Músicas:
La Chute –
Yann Tiersen
L’absente – Yann Tiersen

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Narração/ Edição: Alan Villela

Por Parte de Pai (Parte II) – Bartolomeu Campos Queirós

bartolomeu

Descobri o livro “Por Parte de Pai” em dezembro de 2004 quando fui fazer uma prova no CEFET de minha cidade natal, Leopoldina. Minha mãe me incentivou, desde pequeno, à leitura. Sempre tive uma encanto maior com literatura em forma de diários ou de cartas, bem simples, despretensiosos, sem muitas palavras diferentes, uma leitura mais pessoal, aquela que a gente escreve só pra gente.

O que me fascina em “Por Parte de Pai” é a tristeza, simples e bonita, que percorre todo o livro.

Clique aqui para escutar o primeiro podcast sobre o livro.

Para escutar o podcast aperte PLAY.

Ordem das Músicas:

Download do Podcast em MP3

Narração/ Edição: Alan Villela

Aqueles Dois – Caio Fernando Abreu

Caio

Aqueles Dois foi o primeiro contato que tive com o Caio em meados de junho de 2007. Lembro de me perguntar, assustado, quem é esse cara? Por morar em cidade pequena, na época, iniciei uma busca sem sucesso para encontrar algum livro seu que fosse de carne e osso. Recorri, então, aos e-books em PDF disponíveis pela internet e comecei a devorar aquilo que se conhece como Caio F. Se, no podcast anterior, Clarice Lispector alega ser As Reinações de Narizinho a sua Felicidade Clandestina, eu alego aqui ser Morangos Mofados a minha felicidade clandestina, e, infelizmente (ou não), a minha tristeza também.

Foi necessário dividir o podcast em duas partes para hospedá-lo no youtube por causa de sua duração: 22 minutos e 49 segundos. Porém, o arquivo em mp3 disponível para download é um arquivo único.

Para escutar o podcast aperte PLAY.

Ordem das Músicas:
Naval
– Yann Tiersen
La Corde – Yann Tiersen
Le Phare – Yann Tiersen
Au-Dessus Du Volcan – Yann Tiersen
Divided Love – O Amor nos Tempos do Cólera OST
Tu Me Acostumbraste – Caetano Veloso
Io Che Non – Paul Mauriat
Hay Amores – O Amor nos Tempos do Cólera OST
Nossas Vidas – Dalva de Oliveira
7-PM – Yann Tiersen

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Narração/ Edição: Alan Villela

Felicidade Clandestina – Clarice Lispector

Clarice

A Rádio Poeta apresenta um clássico de Clarice Lispector: Felicidade Clandestina, lançado no livro O Primeiro Beijo em 1996.

“Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim.”

Para escutar o podcast aperte PLAY.

Músicas: Sur Le Fil, de Yann Tiersen e Fiorentino, trilha sonora do filme O Amor nos Tempos do Cólera.

Download do Podcast em MP3

Narração/ Edição: Alan Villela

Para sugerir textos, poemas, trechos ou autores para futuros podcasts, envie um e-mail para: radiopoeta@gmail.com

Por Parte de Pai – Bartolomeu Campos Queirós

bartolomeu

Após um bom tempo sem atualizações, a Rádio Poeta volta com seus podcasts literários, desta vez com um trecho do livro “Por Parte de Pai”, do escritor mineiro Bartolomeu Campos Queirós.

“Nunca recebi dez com louvor,

sempre sete com distinção.”

Para escutar o podcast aperte PLAY.

Músicas: Trilha Sonora do filme O Amor nos Tempos do Cólera: My New Life, White Suit e Realjo.

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Narração/ Edição: Alan Villela


Compensação – Cecília Meireles

Cecília

A Rádio Poeta mostra um pouco de Cecília Meireles com o podcast de seu conto “Compensação“.

(…)

Hoje eu quereria ler uns livros que não falam de gente, mas só de bichos, de plantas, de pedras: um livro que me levasse por essas solidões da Natureza, sem vozes humanas, sem discursos, boatos, mentiras, calúnias, falsidades, elogios, celebrações…

(…)

Para escutar o podcast aperte PLAY.

Músicas: Yann Tiersen – “Le Jour d’Avant”

Narração/ Edição: Alan Villela

Capítulo Final de Feliz Ano Velho

marcelo

Dando término aos podcasts do livro de Marcelo Rubens Paiva, a Rádio Poeta apresenta o capítulo final do livro “Feliz Ano Velho“. Palavras emocionantes de Marcelo na trilha sonora de Elis Regina e Secos e Molhados.

Feliz Ano Velho” é um desses livros que marcam a história da literatura e sempre estará presente, não impotando a década.

Obrigado pelas esperanças, Marcelo.

Para escutar o podcast aperte PLAY.

Músicas: Elis Regina – “Sabiá” e Secos e Molhados “Sangue Latino”

Narração/ Edição: Alan Villela

Fragmento de Feliz Ano Velho – Marcelo P.

marcelo
Foto Publicada jornal O Globo, Segundo Caderno, edição de 05/07/06 – Fonte: O Genial Marcelo Rubens Paiva.

“Adeus Ano Velho, feliz Ano-Novo.

Não tinha o mínimo sentido. As lágrimas rolaram, chorei sozinho, ninguém poderia imaginar o que eu estava passando. Nada fazia sentido. Todos sofriam comigo, me davam força, me ajudavam, mas era eu quem estava ali deitado, e era eu que estava desejando minha morte. Mas nem disto eu era capaz, não havia meio de largar aquela situação. Tinha que sofrer, tinha que estar só, tão só, que até meu corpo me abandonara. Comigo só estavam um par de olhos, nariz, ouvido e boca.

Feliz Ano Velho, adeus Ano-Novo.

Mais um podcast do livro do grande Marcelo Rubens Paiva.

Para escutar o podcast  aperte PLAY.

Música: Elis Regina – “Como Nossos Pais”

Narração/ Edição: Alan Villela

1º Capítulo de Feliz Ano Velho – BIIIIIIIN

marcelo

Foto de Marcelo Rubens Paiva, 1985

Dando continuidade com nossos podcasts do livro “Feliz Ano Velho” de Marcelo Rubens Paiva, a Rádio Poeta divulga o primeiro capítulo do livro: “BIIIIIIIN”. Marcelo avisa ao seu amigo Gregor que irá descobrir o ouro que ele enterrou debaixo do lago, dá um salto imitando a posição do Tio Patinhas e BIIIIIIIN.

Para escutar o podcast aperte PLAY.

Músicas: Legião Urbana – “Riding Song” do cd “Uma Outra Estação” e Yann Tiersen “Summer 78” da trilha sonora do filme “Adeus Lênin”

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Narração/ Edição: Alan Villela

Feliz Ano Velho – Marcelo R. Paiva

marcelo

Foto de Marcelo Rubens Paiva

Feliz Ano Velho” é o relato de um rapaz (até então com 20 anos de idade) que sofreu um acidente após um mergulho de cabeça dentro de um lago e ficou tetraplégico. O livro conta a história real de Marcelo Rubens Paiva e de seu sofrimento, sua luta e suas esperanças diante da falta de movimento no corpo e do apoio da família, dos amigos e de sua própria vontade de sobreviver.

A Rádio Poeta inicia uma série de podcasts direcionados ao livro “Feliz Ano Velho“, e começamos do início, com o prefácio do livro, divido com duas cartas: A primeira de Luiz Travessos falando sobre o livro e em seguida uma resposta de Marcelo Rubens Paiva.

Para escutar o podcast aperte PLAY.

Músicas: Secos e Molhados – “O Vira” e “O Patrão Nosso de Cada Dia”

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Narração/ Edição: Alan Villela

Pedras de Calcutá – Caio F.

Caio

Com tantos mergulhos e encantos com Caio F, a Rádio Poeta dá sequência com uma pequena amostra de seu livro “Pedras de Calcutá”. O Podcast narrado conta um pouquinho sobre essa obra prima (a terceira coletânea de contos) e fala um pouco sobre o autor.

“O livro assinalava a conclusão de uma trajetória pessoal de independência em relação ao estado natal (Caio ampliara sua carreira jornalística para São Paulo e Rio de Janeiro), ao país (vinha de um período de três anos de auto-exílio em Londres, Estocolmo e Amsterdã) e afirmação de liberdade pessoal e não-submissão ao arbítrio do regime militar. Com tudo isso, tratava-se de uma obra extremamente representativa do que se passara com muitos jovens no mundo todo…”

Para escutar o podcast aperte PLAY.

Músicas: The Beatles – “Here Comes The Sun” extraído do cd “Love”

Narração/ Edição: Alan Villela

Mergulho II – Caio F.

Caio

Dando continuidade: Caio F. com “Megulho II” do livro “Pedras de Calcutá”

“Na primeira noite, ele sonhou que o navio começara a afundar.
As pessoas corriam desorientadas de um lado para outro no tombadilho, sem lhe dar atenção. Finalmente conseguiu segurar o braço de um marinheiro e disse que não sabia nadar. O marinheiro olhou bem para ele antes de responder, sacudindo os ombros: “Ou você aprende ou morre”.
Acordou quando a água chegava a seus tornozelos.

Na segunda noite, ele sonhou que o navio continuava afundando. As pessoas corriam de outro para um lado, e depois o braço, e depois o olhar, o marinheiro repetindo que ou ele aprendia a nadar ou morria. Quando a água alcançava quase a sua cintura, ele pensou que talvez pudesse aprender a nadar. Mas acordou antes de descobrir.

Na terceira noite, o navio afundou.”

Para escutar o podcast aperte PLAY.

Músicas: Yann Tiersen – “Les Enfants” extraído do cd “Les Retrouvailles”

Narração/ Edição: Alan Villela

Mergulho I – Caio F.

Caio

Mais Caio F. para nos alimentar com sua loucura.

O novo podcast é do conto “Mergulho I”, do livro “Pedras de Calcutá”. O livro é dividido em duas partes com os contos Mergulho I e Mergulho II. Na próxima atualização daremos sequência com a segunda parte desse mergulho do Caio F, o grande Fernando Abreu.

“O primeiro aviso foi um barulhinho, de manhã bem cedo, quando ele se curvava para cuspir água e pasta de dentes na pia. Pensou que fosse o jato de água da torneira aberta e não ligou muito: sempre esquecia portas, janelas e torneiras abertas pelas casas e banheiros por onde andava.

Então fechou a torneira para ouvir, como todos os dias, o silêncio meio azulado das manhãs, com os periquitos cantando na varanda e os rumores diluídos dos automóveis, poucos ainda. Mas o barulhinho continuava. Fonte escorrendo: água clara de cântaros, bilhas, grutas — e ele achou bonito e lembrou (um pouco só, porque não havia tempo) remotos passeios, infâncias, encantos, namoradas.

Quando se curvou para amarrar o cordão do sapato é que percebeu que o barulhinho vinha do chão e, mais atentamente curvado, exatamente de dentro do próprio pé esquerdo. Tornou a não ligar muito; achou até bonito poder sacudir de quando em vez o pé para ouvir o barulhinho trazendo marés, memórias. Quando foi amarrar o cordão do sapato do pé direito, voltou a ouvir o mesmo barulhinho e sorriu para as obturações refletidas no espelho: dois pés, duas fontes, duas alegrias.

Ao abotoar as calças, sentiu o umbigo saltar exatamente como uma concha empurrada por uma onda mais forte e, logo após, o mesmo barulhinho, agora mais nítido, mais alto. Sentou na privada e acendeu um cigarro, pensando na feijoada do dia anterior. Antes de dar a primeira tragada, passou a mão pelo pescoço, prevenindo a áspera barba a ser feita, e
o pomo-de-adão deu um salto, umbigo, concha, como se engolisse ar em seco, e não engolia nada, apenas esperava, o cigarro parado no ar.
Ergueu-se para olhar a própria cara no espelho, as calças caídas sobre os sapatos desamarrados, e abriu a boca libertando uma espécie de arroto.

Foi então que a água começou a jorrar boca afora. Primeiro em gotas, depois em fluxos mais fortes, ondas, marés, até que um quase maremoto o arrastou para fora do banheiro. Espantado, tentou segurar-se no corrimão da escada, chegou a estender os dedos, mas não havia dedos, só água se derramando degraus abaixo, atravessando o corredor, o escritório, a
pequena sala de samambaias desmaiadas. Antes de atingir o patamar de entrada ele ainda pensou que seria bom, agora, não ser mais regato, nem fonte, nem lago, mas rio farto, caminhando em direção à rua, talvez ao mar.

Mas quando as ondas mais fortes rebentaram a porta de entrada para inundar o jardim, ele se contraiu, se distendeu e cessou, inteiro e vazio.
Não passava de uma gota na imensa massa de água, que descia das outras casas inundando as ruas.”

Para escutar o podcast aperte PLAY.

Músicas: Yann Tiersen – Guilty Trilha de “O Fabuloso Destino de Amelie Poulain”

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Narração/ Edição: Alan Villela

Liberdade – Cecília Meireles.

Cecília

ATUALIZADO EM 06 DE OUTUBRO DE 2016

Queridos ouvintes, após nove anos no ar, a Rádio Poeta comemora trazendo uma nova interpretação para a crônica “Liberdade”, de Cecília Meireles. Para conferir a postagem completa, clique aqui.

Para ouvir a nova versão do Podcast, dê play abaixo:

——

POSTAGEM ORIGINAL DE 2007

No segundo programa da Rádio Poeta damos espaço para a escritora carioca Cecília Meireles. Nascida na cidade do Rio de Janeiro em 07/11/1901, apareceu no meio literário em 1919 com o livro de poemas Espectros. Morreu em 09/11/1964.

O conto narrado chama-se “Liberdade” do livro de contos “Escolha o seu sonho”

“Deve existir nos homens um sentimento profundo que corresponde a essa palavra LIBERDADE, pois sobre ela se têm escrito poemas e hinos, a ela se tem até morrido com alegria e felicidade.

Diz-se que o homem nasceu livre, que a liberdade de cada um acaba onde começa a liberdade de outrem; que onde não há liberdade não há pátria; que a morte é preferível à falta de liberdade; que renunciar à liberdade é renunciar à própria condição humana; que a liberdade é o maior bem do mundo; que a liberdade é o oposto à fatalidade e à escravidão; nossos bisavós gritavam “Liberdade, Igualdade e Fraternidade!”. Nossos avós cantaram: “Ou ficar a Pátria livre ou morrer pelo Brasil!”; nossos pais pediam: “Liberdade! Liberdade! – abre as asas sobre nós”, e nós recordamos todos os dias que “o sol da liberdade em raios fúlgidos – brilhou no céu da Pátria…” – em certo instante.

Somos, pois criaturas nutridas de liberdade há muito tempo, com disposições de cantá-la, amá-la, combater e certamente morrer por ela.

Ser livre – como diria o famoso conselheiro… – é não ser escravo; é agir segundo a nossa cabeça e o nosso coração, mesmo tendo que partir esse coração e essa cabeça para encontrar um caminho… Enfim, ser livre é ser responsável, é repudiar a condição de autônomo e de teleguiado – é proclamar o triunfo luminoso do espírito. (Supondo que seja isso.)

Ser livre é ir mais além: é buscar outro espaço, outras dimensões, é ampliar a órbita da vida. É não estar acorrentado. É não viver obrigatoriamente entre quatro paredes.

Por isso, os meninos atiram pedras e soltam papagaios. A pedra inocentemente vai até onde o sono das crianças deseja ir. (Às vezes, é certo, quebra alguma coisa, no seu percurso…).

Os papagaios vão pelos ares até onde os meninos de outrora (muito de outrora!…) não acreditavam que se pudesse chegar tão simplesmente, com um fio de linha e um pouco de vento!…

Acontece, porém, que um menino, para empinar um papagaio, esqueceu-se da fatalidade dos fios elétricos e perdeu a vida.

E os loucos que sonharam sair de seus pavilhões, usando a fórmula do incêndio para chegarem à liberdade, morreram queimados, com o mapa da Liberdade nas mãos!…

São essas coisas tristes que contornam sombriamente aquele sentimento luminoso da LIBERDADE. Para alcançá-la estamos todos os dias expostos à morte. E os tímidos preferem ficar onde estão, preferem mesmo prender melhor suas correntes e não pensar em assunto tão ingrato.

Mas os sonhadores vão para a frente, soltando seus papagaios, morrendo nos seus incêndios, como as crianças e os loucos. E cantando aqueles hinos que falam de asas, de raios fúlgidos – linguagem de seus antepassados, estranha linguagem humana, nestes andaimes dos construtores de Babel…”

Para escutar o podcast aperte PLAY.

Músicas: Yann Tiersen – La Noyee Trilha de “O Fabuloso Destino de Amelie Poulain”

Download do Podcast em MP3

Narração/ Edição: Alan Villela

Carta aos Pais – Caio F.

Caio
Fotos do poeta Caio Fernando Abreu

Iniciando a série de podcats no Rádio Poeta, apresentamos o autor brasileiro Caio Fernando Abreu. Jornalista, poeta, escritor e dramaturgo que morreu na casa paterna no Rio Grande do Sul em 1996.

Pocdcast narrado é uma carta de 1987 enviada para seus pais

São Paulo, 12 de agosto de 1987.

Querida mãe, querido pai,
Não sei mais conviver com as pessoas. Tenho medo de uma casa cheia de pais e mães e irmãos e sobrinhos e cunhados e cunhadas. Tenho vivido tão só durante tantos – quase 40 – anos. Devo estar acostumado.

Dormir 24 horas foi a maneira mais delicada que encontrei de não perturbar o equilíbrio de vocês – que é muito delicado. E também de não perturbar o meu próprio equilíbrio – que é tão ou mais delicado.
Estou me transformando aos poucos num ser humano meio viciado em solidão. E que só sabe escrever. Não sei mais falar, abraçar, dar beijos, dizer coisas aparentemente simples como “eu gosto de você”. Gosto de mim. Acho que é o destino dos escritores. E tenho pensado que, mais do que qualquer outra coisa, sou um escritor. Uma pessoa que escreve sobre a vida – como quem olha de uma janela – mas não consegue vivê-la.

Amo vocês como quem escreve para uma ficção: sem conseguir dizer nem mostrar isso. O que sobra é o áspero do gesto, a secura da palavra. Por trás disso, há muito amor. Amor louco – todas as pessoas são loucas, inclusive nós; amor encabulado – nós, da fronteira com a Argentina, somos especialmente encabulados. Mas amor de verdade. Perdoem o silêncio, o sono, a rispidez, a solidão. Está ficando tarde, e eu tenho medo de ter desaprendido o jeito. É muito difícil ficar adulto.

Amo vocês, seu filho,
Caio.

Para escutar o podcast aperte PLAY.

Músicas: Yann Tiersen – La Dispute Trilha de “O Fabuloso Destino de Amelie Poulain”

Narração/ Edição: Alan Villela